Consenso
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Instabilidade anterior traumática do ombro com lesão óssea tipo “on-track”: Bankart isolado vs Bankart associado ao Remplissage
Data da última atualização: 07/2025 Enfoque: Tratamento
População: Paciente com instabilidade anterior traumática do ombro e lesão óssea do tipo “on-track”
Intervenção: Reparo de Bankart associado ao Remplissage Controle: Reparo de Bankart isolado
Desfecho: Recidiva, complicações, funcionalidade
Recomendação
Existe evidência, embora de muito baixa qualidade, de que a associação do procedimento de Remplissage ao reparo de Bankart é superior ao reparo isolado de Bankart, apresentando menor taxa de recidiva e melhor função do ombro (Nível de Evidência III), no tratamento de lesões com perda óssea do tipo “on-track”. entretanto, estudos com maior rigor metodológico são necessários para maior clareza acerca deste tema.
O projeto Consensos SBCOC recomenda que as instabilidades anteriores com perda óssea do tipo “on-track” sejam avaliadas individualmente quanto ao risco de recorrência. Nesses casos, a adição do Remplissage ao reparo artroscópico de Bankart poderá proporcionar melhores resultados funcionais, menor taxa de recidiva e redução da apreensão residual, especialmente em pacientes de maior demanda funcional ou com lesões próximas ao limite crítico de perda óssea.
Introdução
A luxação glenoumeral é a mais frequente do corpo humano, representando
cerca de 50% de todas as luxações articulares. Estima-se uma incidência anual de 23,9 por 100.000 pessoas, sendo a luxação anterior de origem traumática a forma mais prevalente, especialmente em indivíduos jovens e ativos, como atletas e militares [1,2]. Após o primeiro episódio de luxação traumática anterior, o risco de recorrência é particularmente elevado em pacientes do sexo masculino com idade inferior a 20 anos, podendo superar 70% nessa população [1,3].
Tradicionalmente, na ausência de fatores de risco evidentes para recorrência – como lesões ósseas significativas – o tratamento conservador costuma ser a conduta inicial após o primeiro episódio de luxação [1,3,4]. No entanto, diante da recorrência da instabilidade ou da presença de perdas ósseas importantes, está indicada a abordagem cirúrgica. As técnicas mais comumente empregadas são o reparo artroscópico da lesão de Bankart e os procedimentos de bloqueio ósseo, sendo a técnica de Latarjet a mais amplamente utilizada neste último grupo [2,5,6].
O conceito de “glenoid track”, descrito por Yamamoto et al. em 2007 [7], representou um avanço significativo na compreensão da instabilidade glenoumeral, especialmente em casos com lesões ósseas bipolares[9]. De acordo com esse conceito, a extensão da lesão de Hill-Sachs e seu relacionamento com a largura remanescente da glenóide determinam se a lesão será “on-track” (dentro da faixa de contato glenoidal durante os movimentos) ou “off-track” (fora da faixa de contato), com risco de engaging e recidiva [5,7,8]. Essa classificação permite uma estratificação mais precisa dos pacientes, auxiliando na escolha do procedimento cirúrgico mais adequado [5].
Contudo, mesmo nos casos em que a lesão é classificada como “on-track”, mas há presença de perda óssea significativa ou uma lesão de Hill-Sachs grande, o reparo isolado da lesão de Bankart (RB) tem se associado a taxas consideráveis de falha [5,6,9]. Nesse contexto, a realização do reparo de Bankart com associação do Remplissage (RB-R) – tenodese do tendão infraespinhal para preencher a falha óssea da cabeça do úmero[10] – com o objetivo de preencher a lesão de Hill-Sachs e reduzir o risco de engaging e recidiva da instabilidade, parece uma prática lógica. O presente consenso tem como objetivo revisar a literatura atual para avaliar se a associação do Remplissage ao reparo artroscópico de Bankart em pacientes com lesões “on-track” e perda óssea parcial é capaz de melhorar os desfechos clínicos e reduzir a taxa de falha da estabilização articular.
Pergunta
O reparo de Bankart associado ao Remplissage é mais efetivo que o reparo de Bankart isolado na instabilidade traumática anterior com lesão óssea do tipo “on-track”?
Método
- Bases de dados pesquisadas: Pubmed, Embase, Cochrane Library e BVS.
- Descritores: “Adolescent”, “Adult”, “Arthroscopy* / methods”, “Bankart Lesions
/ surgery”, “Double-Blind Method”, “Female”, “Follow-Up Studies”, “Humans”, “Joint Instability* / surgery”, “Male”, “Middle Aged”, “Recurrence*”, “Reoperation* / statistics & numerical data”, “Shoulder Dislocation / surgery”, “Shoulder Joint / surgery” and “Young Adult”.
- Período pesquisado: até Maio de 2025.
- Seleção dos estudos: de acordo com o maior nível de evidência, sendo priorizadas revisões sistemáticas (RS) de literatura com qualidade metodológica e atualizada. Na ausência de RS foram considerados ensaios clínicos controlados randomizados (ECR), seguido por estudos observacionais e, por fim, série de casos.
Resultado
Busca e seleção de estudos
A busca localizou 244 referências (55 Pubmed, 126 Embase, 36 Cochrane Library, 27 BVS). Foram selecionados 43 artigos completos para avaliação, dos quais 30 foram excluídos por não incluir o conceito de glenoid track (ou não incluíram ou reportaram lesões on-track, ou não classificaram as lesões em on-track ou off-track ou incluíram na casuística lesões off-track) [11-40] e 9 por não realizarem a comparação dos métodos em investigação [41-49], restando 4 trabalhos incluídos no escopo desta revisão [50-53] (Figura 1).
Figura 1: Fluxograma da busca de literatura
Estudos Incluídos
Foram localizados poucos trabalhos científicos, sendo a maioria estudos coorte retrospectivos. Em um estudo de coorte multicêntrico realizado por Lin et al.
[50] (2023) foram avaliados 183 pacientes entre 14 e 50 anos, com mínimo de dois anos de seguimento, sendo 56 no grupo RB-R e 127 no grupo RB. Todos apresentavam lesões “on-track”, sem perdas ósseas glenoidais superiores a 15% ou outras comorbidades associadas. O grupo RB-R apresentou apenas um caso de recidiva (1,8%) e nenhuma reoperação. No grupo RB, 14 pacientes (11,0%) apresentaram nova luxação (p = 0,040) e 8 (6,3%) necessitaram de nova intervenção cirúrgica (p = 0,11). Além disso, o grupo RB-R estratificado como alto risco apresentou escores significativamente melhores nos questionários Western Ontario Shoulder Instability Index (p = 0,008) e Subjective Shoulder Value (p = 0,001) em comparação ao grupo controle.
Na revisão sistemática realizada por Villarreal et al. [51] (2025) foram avaliados seis estudos com nível de evidência III, com um total de 537 participantes. Destes, 202 foram submetidos à técnica combinada e 335 à técnica de reparo de Bankart isolado. Após tempo de seguimento médio de 35 meses, as taxas de recidiva da luxação variaram de 0% a 7,7% e de 3,5% a 30% nos grupos com associação do Remplissage e reparo isolado de Bankart, respectivamente, apresentando uma redução do risco relativo de 78% (OR 0.22; IC95%: 0.09 a 0.53).
No estudo de Kirac et al. [52] (2023) com 64 atletas profissionais de esportes de arremesso (basquete, vôlei e handebol) e lesões “on-track” com perda óssea glenoidal subcrítica, a associação do procedimento de Remplissage ao reparo artroscópico de Bankart resultou em melhores escores funcionais (SANE, ASES e ROWE), maior taxa de retorno ao nível esportivo pré-lesão e menor frequência de apreensão subjetiva durante a prática esportiva, quando comparado ao grupo submetido apenas ao reparo isolado de Bankart. Notavelmente, houve três recidivas no grupo RB e nenhuma no grupo RB-R, reforçando a eficácia do Remplissage na prevenção da recorrência da instabilidade mesmo em pacientes com lesões classificadas como “on-track”.
Por fim, o estudo de Yu et al. [53] (2023) a associação do procedimento de Remplissage ao reparo artroscópico de Bankart resultou em escores ROWE significativamente superiores e menor frequência de apreensão residual.
As características gerais dos estudos avaliados e a qualidade da evidência de acordo com o GRADE[15,16] podem ser observados nos Quadros 1 e 2, respectivamente.
Quadro 1 – Características dos estudos incluídos
| Estudos incluídos | Tipo de estudo | Estudos incluídos (tipos de estudo) | Casuística | Protocolo previamente publicado |
| Lin et al (2023) | Estudo de coorte | – – | 183 | Não |
| Villarrealet al (2025) | Revisão sistemática | 6 (6 coortes) | 537 | Não |
| Kirac et al (2023) | Estudo de coorte | – – | 64 | Não |
| Yu et al (2023) | Estudo de coorte | – – | 53 | Não |
Quadro 2: Qualidade da evidência (GRADE): Reparo de Bankart vs Reparo de Bankart associado ao procedimento de Remplissage.
| Desfecho | Estudos (N) | Qualidade da evidência |
| Recidiva da luxação | 6 estudos (537) | 1 |
| Muito baixa | ||
| Função do ombro (escores variados) | 9 estudos (537) | 1 |
| Muito baixa | ||
| 1: Tamanho da amostra limitado; 2: Imprecisão (grande intervalo de confiança); 3: Risco de viés dos estudos incluídos | ||
| Nota: O GRADE (Grading of Recommendations Assesment, Development and Evaluation / Graduação de Recomendações, Desenvolvimento e Avaliação) é uma ferramenta utilizada para a avaliação e mensuração da qualidade de evidência. Está fundamentado em 5 pilares: Risco de viés, Imprecisão, Inconsistência, Avaliação indireta dos desfechos e Viés de publicação. Com isso, a qualidade de | ||
| evidência é classificada em: muito baixa, baixa, moderada e alta qualidade[16,17]. | ||
Conclusão
Existe evidência de muito baixa qualidade demonstrando que o reparo de Bankart associado ao Remplissage é superior ao reparo de Bankart isolado em termos de recidiva da luxação e funcionalidade.
Implicações para pesquisa
São necessários mais ensaios clínicos randomizados com uma melhor qualidade metodológica para comparação do reparo de Bankart isolado e associado ao Remplissage para o tratamento das instabilidade anteriores traumáticas com perda óssea do tipo “on-track”.
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- Cochrane Handbook for Systematic Reviews of Interventions The Cochrane Collaboration.
Anexo 1
Descrição da Estratégia de Busca e Resultados em cada base de dados
| Base | Estratégia | Resultados |
| Cochrane Library | #1 (Shoulder Joint) OR (Joint, Shoulder) OR (Joints, Shoulder) OR (Shoulder Joints) OR (Glenohumeral Joint) OR (Glenohumeral Joints) OR (Joint, Glenohumeral) OR (Joints, Glenohumeral) OR (Glenoid Labrum) OR (Labrum, Glenoid) OR (Shoulder Dislocation) OR (Joint Instability)
#2 (Bankart Lesions) OR (Lesions, Bankart) OR (Bankart Lesion) OR(Lesion, Bankart) OR (Bankart Tears) OR (Tears, Bankart) OR (Hill-SachsLesion) OR (Hill Sachs Lesion) OR (Lesion, Hill-Sachs) OR (Hill-SachsLesions) OR (Hill Sachs Lesions) OR (Lesions, Hill-Sachs) OR (Bankart Fractures) OR (Fractures, Bankart) OR (Bony Bankart Lesion) OR (Bankart Lesion, Bony) OR (Lesion, Bony Bankart) OR (Bony) OR (Bankart Lesions) OR (Bankart Lesions) OR (, Bony) OR (Lesions, Bony Bankart) OR (Osseous) OR (Bankart Lesions) OR (Bankart Lesions) OR (, Osseous) OR (Lesions, Osseous Bankart) OR (Osseous Bankart Lesion) OR (Bankart Lesion, Osseous) OR (Lesion, Osseous Bankart) #3(Arthroscopy) OR (Arthroscopies) OR (Arthroscopic Surgical Procedures) OR (Arthroscopic Surgical Procedure) OR (Procedure, ArthroscopicSurgical) OR (Procedures, Arthroscopic Surgical) OR (Surgical Procedure, Arthroscopic) OR (Arthroscopic Surgery) OR (Arthroscopic Surgeries) OR (Surgeries, Arthroscopic) OR (Surgery, Arthroscopic) OR (Surgical Procedures, Arthroscopic) #4 (Repair Bankart) OR (Arthroscopic Bankart Repair) OR (RemplissageProcedure) OR (Arthroscopic Bankart Repair With Remplissage) OR(Bankart Repair MORE Remplissage) OR (Bankart Repair AND Remplissage) #5 Recurrence* OR Reoperation #6 #1 AND #2 AND #3 AND #4 AND #5 |
36 |
| Pubmed | #1″Shoulder Joint”[Mesh] OR (Joint, Shoulder) OR (Joints, Shoulder) OR (Shoulder Joints) OR (Glenohumeral Joint) OR (Glenohumeral Joints) OR (Joint, Glenohumeral) OR (Joints, Glenohumeral) OR (Glenoid Labrum) OR (Labrum, Glenoid) OR (Shoulder Dislocation) OR (Joint Instability) #2″Bankart Lesions”[Mesh] OR (Lesions, Bankart) OR (Bankart Lesion) OR (Lesion, Bankart) OR (Bankart Tears) OR (Tears, Bankart) OR (Hill-Sachs Lesion) OR (Hill Sachs Lesion) OR (Lesion, Hill-Sachs) OR (Hill-Sachs Lesions) OR (Hill Sachs Lesions) OR (Lesions, Hill-Sachs) OR (Bankart Fractures) OR (Fractures, Bankart) OR (Bony Bankart Lesion) OR (Bankart Lesion, Bony) OR (Lesion, Bony Bankart) OR (Bony) OR (Bankart Lesions) OR (Bankart Lesions) OR (, Bony) OR (Lesions, Bony Bankart) OR (Osseous) OR (Bankart Lesions) OR (Bankart Lesions) OR (, Osseous) OR (Lesions, Osseous Bankart) OR (Osseous Bankart Lesion) OR (Bankart Lesion, Osseous) OR (Lesion, Osseous Bankart)
#3″Arthroscopy”[Mesh] OR (Arthroscopies) OR (Arthroscopic Surgical Procedures) OR (Arthroscopic Surgical Procedure) OR (Procedure, Arthroscopic Surgical) OR (Procedures, Arthroscopic Surgical) OR (Surgical Procedure, Arthroscopic) OR (Arthroscopic Surgery) OR (Arthroscopic Surgeries) OR (Surgeries, Arthroscopic) OR (Surgery, Arthroscopic) OR (Surgical Procedures, Arthroscopic) #4(Repair Bankart) OR(Arthroscopic Bankart Repair) OR (Remplissage Procedure) OR (Arthroscopic Bankart Repair With Remplissage) OR (Bankart Repair MORE Remplissage) OR (Bankart Repair AND Remplissage) #5 Recurrence* OR Reoperation #6 #1 AND #2 AND #3 AND #4AND #5 |
55 |
| Embase | #1 ‘shoulder dislocation’/exp OR ‘dislocation, shoulder’ OR ‘humeroscapular luxation’ OR ‘scapulohumeral luxation’ OR ‘shoulder dislocation’ OR ‘shoulder joint dislocation’ OR ‘shoulder luxation’
#2 ‘bankart lesion’/exp OR ‘bankart fracture’ OR ‘bankart fractures’ OR ‘bankart lesion’ OR ‘bankart lesions’ OR ‘bankart tear’ OR ‘hill-sachs lesion’ OR ‘bony bankart lesion’ OR ‘osseous bankart lesion’ #3 ‘arthroscopy’/exp OR ‘arthro-endoscopy’ OR ‘arthroendoscopy’ OR ‘arthroscopic exam’ OR ‘arthroscopic examination’ OR ‘arthroscopic procedure’ OR ‘arthroscopic procedures’ OR ‘arthroscopy’ #4 (Repair Bankart) OR (Arthroscopic Bankart Repair) OR (Remplissage Procedure) OR (Arthroscopic Bankart Repair With Remplissage) OR (Bankart Repair MORE Remplissage) OR (Bankart Repair AND Remplissage) #5 Recurrence* OR Reoperation #6 #1 AND #2 AND #3 AND #4 AND #5 |
126 |
| Portal BVS | #1 MH:”Articulação do Ombro” OR (Shoulder Joint) OR (Articulação Glenoumeral) OR (Articulações dos Ombros) OR (Ligamento Glenoide Umeral) OR (Lábio Glenoidal) OR MH:A02.835.583.748$
#2MH:”Lesões de Bankart” OR (Bankart Lesions) OR (Fraturas Bankart) OR (Fraturas de Bankart) OR (Lacerações Bankart) OR (Lacerações de Bankart) OR (Lesão Bankart) OR (Lesão de Bankart) OR (Lesão de Hill-Sachs) OR (Lesão Óssea de Bankart) OR (Lesões de Will-Sachs) OR (Lesões Ósseas de Bankart) OR (Rupturas Bankart) OR (Rupturas de Bankart) OR MH:C26.404.625.500$ OR MH:C26.803.250.500$ #3MH:”Artroscopia” OR (Arthroscopy) OR (Procedimentos Cirúrgicos Artroscópicos) OR MH:E01.370.388.250.070$ OR MH:E04.502.250.070$ OR MH:E04.555.113$ #4 (Repair Bankart) OR (Arthroscopic Bankart Repair) OR (Remplissage Procedure) OR (Arthroscopic Bankart Repair With Remplissage) OR (Bankart Repair MORE Remplissage) OR (Bankart Repair AND Remplissage) #5 #1 AND #2 AND #3 AND #4 |
27 |